Oração funebre recitada nas exequias do Illm.^o e Exm.^o Sr. Pedro Alexandrino da Cunha | Page 4

Antonio Vasconcellos
e sobretudo a inabalavel e rara honestidade na administra??o da justi?a, no provimento dos empregos, na concess?o dos auxilios e protec??o do governo, levaram a t?o alto gr��o a sua reputa??o, que esta Cidade o honrou com a mais solemne e saudosa despedida, de que ha recorda??o nos annaes desta Provincia; e o respeitavel Corpo Municipal ainda saudou a sua memoria, quando pela primeira v��z teve de dirigir-se ao illustre General, que de t?o puras m?os receb��ra as r��deas do governo[24].
Objecto do publico respeito, honrado com a saudade de todos, o Sr. Pedro Alexandrino da Cunha, deixou as praias de Loanda legando aos seus successores o elevado encargo de corresponder �� confian?a do governo, ��s esperan?as da Provincia, e �� honradissima recorda??o de t?o distincto funccionario.
Em reconhecimento dos seus extraordinarios servi?os, �� que ��s distinc??es com que o honr��ra o governo, veio associar-se aquella a que o Imperador lig��ra os nobres epithetos de valor, lealdade e merito. Appropriado ornamento para um peito de tanto valor, para animo de tamanha lealdade, para cora??o de t?o grande merito[25].
A dedica??o que o fizera martyr do servi?o publico desde os primeiros annos, n?o consentiu que repousasse um instante depois de tantas fadigas, e o governo sollicitando-o �� Camara aonde o lev��ra o voto unanime do collegio elleitoral desta Provincia, quando j�� a n?o governava, mandou-o ��s praias do Rio de Janeiro, aonde uma cruel fatalidade devia fazer passar a sua alma por bem amargas prova??es, que talvez apressaram o termo daquella preciosa existencia, quando em outra mais distante e atribulada possess?o portugueza, come?avam a sentir-se os effeitos da sua consummada prudencia, e extrema capacidade[26].
Senhores, se o cidad?o virtuoso, o funccionario probo, o administrador incansavel, j�� n?o existe, se lhe faltam estatuas ou padr?es que perpetuem a sua memoria, se o interprete de vossos sentimentos hoje �� demasiado debil para que a sua voz ecc?e nas idades futuras, eu vejo mais que tudo isso nesta publica, solemne, e espontanea demonstra??o, no testemunho constante que daes das suas virtudes, na inextinguivel saudade, que tendes nobremente patenteado.
A Duarte Pacheco que morreu �� mingoa n'um hospital, ninguem levantou estatua: n?o ha uma recorda??o monumental de Salvador Corr��a, mas de paes a filhos passa veneranda, e respeitada a memoria destes grandes var?es.
Como a respeito delles v��s direis a vossos irm?os, aos vossos amigos, a todos quantos abordarem ��s praias desta boa Cidade, as qualidades do vosso chorado Chefe: haveis de mostrar-lhes pela narra??o de seus feitos, o esplendor das suas virtudes publicas, o brilho da sua austera probidade, o lustre da sua proverbial rectid?o; e a primeira ora??o que ensinardes a vossos filhos, ser�� sem duvida dizendo-lhes com t?o justificada saudade:
Oremos pelo descan?o eterno do Sr. Pedro Alexandrino da Cunha, Governador Geral que foi desta Provincia.

Notas:
[1] O Sr. Pedro Alexandrino da Cunha nasceu em Outubro de 1801, filho legitimo de D. Rita Tiburcia da Costa, e do 1.^o Tenente da Armada, Jacinto Peres da Cunha, que fallec��ra poucos mezes antes em Argel das feridas mortaes que recebera dos moiros na occasi?o em que por elles foi tomada a fragata Cisne, onde se achava embarcado.
Necrologia pelo Illm.^o Sr. S. J. da Luz, Official Maior da Secretaria de Estado dos Negocios da Marinha e Ultramar: Diario do Governo n.^o 233 de 3 de Outubro de 1850.
[2] Falleceu com quazi quarenta e nove annos de idade.--Necrologia citada etc.
[3] Alferes annexo ao Estado maior do Exercito em 22 de Mar?o de 1821.--Ordem do dia n.^o 55 de 28 do sobredito mez: Tenente de Infanteria 13 em 9 de Julho de 1827.--Ordem do dia n^o 90.--A Fragata brasileira Izabel em fins de Setembro de 1828 deitou na Ilha Terceira a primeira por??o de Officiaes entre os quaes se contava o Sr. Pedro Alexandrino da Cunha.--Necrologia citada etc.
[4] Foi na Ilha Terceira incumbido da repara??o do Castello de S. Jo?o Baptista do Monte Brazil, e da direc??o de uma Imprensa. Passou para a Armada a rogos do Governo em 2^o Tenente em 25 de Fevereiro de 1831, e servio a bordo do brigue-escuna Liberal, na expedi??o ��s Ilhas de Oeste, e commandou depois as escunas, Prudencia e Terceira.--Necrologia citada.
[5] Vide a citada Necrologia.
[6] Creou um Arsenal na Ilha de Loanda.--Necrologia citada.
[7] O Sr. Pedro Alexandrino da Cunha, sahio de Lisboa na corveta D. Izabel Maria, em 9 de Dezembro de 1836, passou a Cabo Verde, e a Pernambuco, foi �� Bahia em auxilio dos subditos portuguezes, e tocando no Rio de Janeiro para se prover de mantimentos, seguio viagem para a Costa de Africa. Voltou ao Reino em 1841: foi eleito Deputado por S. Thom�� e Principe e tomou assento em 3 de Janeiro de 1843, e sendo pedido �� Camara sahio de novo para Angola a bordo da corveta Urania em 27 de Abril do mesmo anno.--Promovido a Capit?o de Fragata em 14 de
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